Países europeus, liderados por França e Reino Unido, articulam a criação de uma missão naval no Estreito de Ormuz para garantir a segurança do tráfego marítimo. A proposta, apresentada pelo presidente francês Emmanuel Macron, prevê a formação de uma coalizão internacional sem a participação de Estados Unidos, Israel e Irã, considerados partes diretamente envolvidas no conflito.

O plano surge após semanas de divergência entre aliados ocidentais. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã, o estreito — rota estratégica para o transporte global de petróleo — teve sua navegação comprometida. Países europeus recusaram aderir a uma ação militar liderada pelos EUA e passaram a buscar uma solução alternativa, baseada em coordenação internacional e atuação defensiva.

A proposta europeia prevê três frentes principais: retirada de mais de 300 embarcações retidas na região, operações de desminagem em larga escala e implementação de escoltas navais permanentes para navios comerciais. Segundo autoridades francesas, a operação dependerá de condições mínimas de estabilidade e de coordenação entre forças navais e inteligência dos países envolvidos.

Além da dimensão militar, líderes europeus também defendem uma saída diplomática para o conflito. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer afirmou que a iniciativa busca equilibrar esforços por um cessar-fogo negociado com medidas práticas para restabelecer a segurança marítima na região.

A movimentação evidencia um distanciamento estratégico entre Europa e Estados Unidos na condução da crise, com a tentativa europeia de atuar de forma independente e evitar associação direta com ações militares em curso.