Medida do governo chinês acelera queda nas importações e pressiona produtores internacionais.

A proibição do consumo de álcool em eventos governamentais na China tem provocado efeitos no mercado global de vinhos. A diretriz, reforçada em maio de 2025 pelo Partido Comunista, impede o serviço de bebidas alcoólicas em recepções oficiais e integra um conjunto de medidas para conter gastos e desperdícios no setor público.

A decisão ocorre em um cenário de redução da demanda interna, influenciada pela crise imobiliária, desaceleração da renda e mudanças no consumo. Em 2025, as importações de vinho pelo país caíram 21%, com volume de 207 milhões de litros. Desde o pico registrado em 2018, o valor total das importações foi reduzido pela metade.

O impacto atinge produtores e empresas do setor. A Treasury Wine Estates informou estoques excedentes de cerca de US$ 150 milhões na China e anunciou redução de volumes nos próximos anos. Empresas como Pernod Ricard e Diageo também registraram queda nas vendas na região, associadas às restrições sobre consumo em eventos oficiais.

Diante do cenário, exportadores buscam novos mercados. Regiões produtoras na França e na Austrália enfrentam redução de produção e queda de preços, enquanto países como Nova Zelândia e Alemanha ampliam participação ao atender mudanças na demanda chinesa.