Medidas do governo buscam conter preços, mas levantam preocupação sobre oferta no país.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) declarou em 20 de março uma “situação de risco excepcional” no abastecimento de combustíveis no Brasil. O alerta ocorre em meio à redução das importações de diesel, dificuldades na recomposição de estoques e aumento da demanda. O cenário coincide com a política da Petrobras de manter preços abaixo do mercado internacional.
A defasagem nos preços é apontada como um dos fatores centrais. Segundo a Abicom, o diesel vendido pela Petrobras chega a ter desconto de até 72% em relação à paridade de importação. Com isso, importadores privados, responsáveis por cerca de 25% do abastecimento, reduziram suas operações. A estatal realizou um reajuste de R$ 0,38 por litro em março, mas o impacto foi compensado pela retirada de impostos federais sobre o combustível.
O governo federal adotou medidas para conter os preços e garantir oferta, incluindo a Medida Provisória 1.340, que prevê subsídios de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores, além da eliminação de tributos e criação de taxas sobre exportações. Ao mesmo tempo, a Petrobras ampliou a produção em refinarias e adiou manutenções para elevar a oferta interna.
Apesar das ações, há sinais de pressão no abastecimento, especialmente no setor agrícola. Produtores no Rio Grande do Sul relataram dificuldade para obter diesel durante a colheita de soja, e um leilão emergencial foi realizado para suprir a demanda. O governo também discute novos subsídios para cobrir impostos estaduais, enquanto analistas apontam risco de desabastecimento caso o cenário persista.
